'

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Lá fora a temperatura é de 40ºC .
 O barulho de chuva lhe proporciona  nostalgias boas e a água gelada trás o arrepio e a calma que merece.  É bom se sentir vivo às vezes. As pequenas gotas d’água se desmancham sobre a cabeça já quente, parecem mais precipitações dos grandes problemas que tentou solucionar ao decorrer do dia, tudo indo embora.
O banheiro, acredite, é o melhor lugar pra quem quer se isolar das leviandades do mundo. O banho quando bem apreciado, não só lava o corpo, como também renova a alma Basta apenas fechar os olhos e sentir a água deslizar, em uma incessável dança até chegar ao chão.
Ainda que descalça, só sentia o chão depois que os pés estivessem secos. O espelho molhado, deformava a imagem de seu rosto, como a chuva deforma a paisagem através de uma janela translúcida... Para ter certeza, olhou novamente o espelho, dessa vez seco.. É ,ainda estava viva!
Não faz questão de se preocupar com o sino do colégio que já havia soado, pra ela teria de ser algo mais forte que um simples eco pra lhe tirar de dentro de sua dimensão.  Aquilo era seu maior ópio. Um ritual o qual repetia algumas vezes ao dia, para ter a certeza de que o “dia” ainda não havia feito dela, o que o ralo faz com toda água imunda .
Depois de tomado o banho, passa pelo estreito corredor ate chegar ao seu quarto, enrola a toalha na cabeça e deita-se sobre a cama se encolhendo.  A noite havia sido em vão, estava exausta, definitivamente o melhor era se desligar de tudo. Já não escutava nada alem de uma pacata musica que mais parecia o barulho de um relógio de corda antigo. E depois de alguns minutos, já não se escutava mais nada
. (monique pádua)
 

Um comentário: