A estrada retorcia-se em acentuadas curvas delgadas e sem fim. Dentro do carro, já estafada de sentir náuseas constantes, abri o vidro para respirar um pouco de poeira e sentir queimar o rosto sob um sol escaldante de uma tarde de domingo.
A imagem que via, resumia-se em um vão verde das arvores em volta de mim, não sabia se era eu ou se eram elas que corriam do calor incessante. Nem um vestígio de água, a não ser das gotículas de suor que escorriam pelas costas de minha mãe, as quais ela insistia em conter com a flanela já úmida.
Enfim, estacionamos, teríamos que andar mais um trecho até chegar à represa meio seca sabia-se Lá se teria algum peixe, mas aquele era o passa tempo predileto dela, não podia fazer a desfeita de não acompanhá-la.
Ajudei a tirar tudo do porta-malas, caminhamos até a margem e de longe avistei um casebre abandonado. Eu e meu “instinto aventureiro” pediam que ficasse, mas minha curiosidade era tremenda, ao ponto de ficar me perguntando o que teria lá, e supondo as piores hipóteses possíveis.
Uma boa parte de minha infância eu morei na roça, nunca tive medo ou nojo de insetos daqueles típicos de dias de chuva. Uma das coisas que mais gostava era de imaginar historias fantásticas antes de dormir, algumas minha mãe inventava... E quando eu adormecia, saia vagando a mata e as pedreiras com meu vestido esvoaçante da cor da lua, que, vagarosamente ia surgindo e tomava conta de meu subconsciente.
Quando não saia voando , eu corria descalça pela mata sem saber o que procurar, era um sonho afinal, não costumava sonhar com desejos, até me mudar pra cidade e me tornar um pouco mais ambiciosa.
Era uma casinha pequena, talvez havia pertencido a algum peão que morasse sozinho. Uma de suas paredes já havia sido derrubada e num canto isolado, tumultuavam ossadas, de gado talvez, alguns rabiscos na parede, feitos de tijolos deixavam evidente de que não só eu, mas outros já haviam se perguntado o que teria lá dentro.
Pela janela, parcialmente inteira, se via por um pequeno buraquinho quebrado, o por do sol refletindo sobre o mato seco queimado pelo fogo que se queima canaviais. Era uma cena irrevogavelmente perfeita, impossível de se descrever com precisão. E que dela me lembro de cada detalhe, enquanto te abraço. Você me faz pensar em coisas boas e algumas até estranhas. Faz-me passar pela cabeça, coisas meio esquecidas, inelutavelmente isso vem se tornando um habito e, talvez, um hábito que se torne lembranças... Meio lembradas algum dia.
(monique pádua)

=)
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