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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Filtro Solar

Filtro solar!
Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta:
usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo
Do uso de filtro solar estão provados
E comprovados pela ciência
Já o resto de meus conselhos
Não tem outra base confiável
Além de minha própria experiência errante
Mas agora eu vou compartilhar
Esses conselhos com vocês...
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece...
Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas pode crer, daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos
E perceber de um jeito que você nem desconfia, hoje em dia, quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente
E como você realmente estava com tudo encima
Você não tá gordo, ou gorda
Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação
é tão eficaz quanto mascar chiclete
para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade da sua vida, tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada
E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de um terça-feira muito horrenda
Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos 22, o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos 40, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer, não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você.
As Suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, é assim pra todo mundo.
Desfrute de seu corpo, use-o de toda maneira que puder, mesmo!
Não tenha medo do seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele
É o maior instrumento que você jamais vai construir.
Dance! Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio!
Dedique-se a conhecer os seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade pra diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida.
Porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis: os preços vão subir, os políticos vão saracutiar, você, também, vai envelhecer.
E quando isso acontecer..
Você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis,
Os políticos eram decentes
E as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos. E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada,
Talvez case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.
Não mexa demais nos cabelos, senão quando você chegar aos 40, vai aparentar 85.
Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas no filtro solar, acredite! ( Pedro Bial )

(créditos ao texto. Muito bom! )

terça-feira, 18 de outubro de 2011

numa folha qualquer

A penumbra azul abraçava os corpos,
sintetizava a essência do que se passava nas mentes.
As mentes harmonizavam o vazio do quarto.
 Rostos pálidos, extenuados
 Olhavam-se frontalmente um para o outro.
Tentando imaginar o que se pensava, o que se pedia e talvez implorasse.
 Mas como nada se sabe,
vem na mente nostalgias,
 De quando cores eram arco-íris e os amores não eram frívolos.

(Que descolorirá!)


(monique pádua) 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"O Tempo como Temporalidade, Episteme e Sociabilidade"

Para quem anseia vida, eu sou imortal, para quem deseja incessantemente o novo, eu sou o velho e desejado tempo, que do tempo restou somente o vazio.
Antonio castro era um homem a quem eu observava minuciosamente. Passava horas ali sentado na mesa redonda a minha frente e, em uma de suas pequenas pausas, olhava aflito para mim, procurando entender porque não lhe restava tempo suficiente para cumprir suas tarefas até o fim da noite.
Tentava de toda maneira mostrar a ele quanta vida ainda tinha pela frente, mas o homem que sequer reparava o percurso que fazia todos os dias, não notaria o apelo do velho relógio da parede de seu escritório.
Às vezes, tentando quebrar o silencio funesto e tirar de sua mente as idéias insanas de dias de desgosto, gritava seu nome: - Antônio! Antônio! Antônio, quantas vezes fossem necessárias para que ele me dirigisse um murmúrio sem graça.
Cansado de discutir com os insetos, inquilinos abusados, decidi tirar um dia de descanso. A montanha de papéis e o litro de Uísque não trariam a mesma sorte para Antônio, que a uma hora dessa já devia estar chegando.
O barulho na porta dos fundos e os passos apressados denunciavam a chegada dele, e mal humorado, revirava os papéis da mesa no afã de encontrar algo. Quando percebeu que eu havia parado, decidiu que me daria corda para continuar trabalhando, afinal, naquela casa nada poderia “sair do tempo”.
- Estúpido! As letras saíram de mim quase que saltando. Antônio ainda perplexo com que havia escutado se sentou, encheu o copo e tomou uma dose de sua bebida predileta.
- E por que não mais o meu nome? Perguntava ele conformando-se com sua nova e inesperada definição.
-Estúpido lhe cai bem, uma pessoa que passa a maior parte da vida fazendo coisas mesquinhas, achando que a busca pelo dinheiro, pelo status, e o refúgio nas bebidas lhe faria preencher a vida que tem porem, esqueceu de um mero detalhe: você não é sozinho e sim medíocre, por não reconhecer que tem família e um mundo inteiro para conhecer.
 Dizendo essas palavras o homem saiu pela porta da frente e nunca mais voltou. Enquanto eu ainda insisto: Antônio! Antônio! Antônio! Antônio...
(monique pádua)

dasabafo?

Mais que uma indagação metafísica, talvez, quem sabe, uma controvérsia do que seria perfeitamente normal.
Não se sabe por que ou sequer sabe-se...
A vida é um “quê” gigante, mas nem por isso, hora alguma, deixamos de viver por não saber do que se trata .  (Monique Pádua)

sábado, 1 de outubro de 2011

Fartas vidas fúteis

A música soa amarga-
mente pela lembrança.
O vazio me consome,




dilacera,
A falta daquilo que não me lembro,

não saber lidar
com idéias vagas jogadas no vento,
(ou seria a perca de memória precoce?)

no momento só aguardo a musica terminar.
(monique pádua)

Quem somos nós, o ovo ou a galinha?

Esporadicamente dizendo, somos indivíduos ou seres indefinidos, como se nascêssemos em ovos gigantes: no inicio não percebemos nada a nossa volta, e logo começamos a dar os primeiros passos dentro do ovo, e este, portanto caminha em qualquer direção, arriscando um amadurecimento precoce desse individuo. Percebemos então, que a casca do ovo nos impede de crescer, porem, ao mesmo tempo protege aquele que ainda não está pronto para viver longe daquilo. A primeira escolha devera ser tomada apenas quando o individuo tiver o autoconhecimento, e souber que a partir do momento em que sair do ovo, poderá enxergar melhor os caminhos, fazer as escolhas certas e almejar metas, sem deixar de lado o fato de que este agora será conhecido por todos que já possuem sua identidade, e também carregara a responsabilidade de saber que veio a nascer por um propósito maior: não deixar que o mundo vire uma omelete. (monique pádua)

Imagem: Salvador Dali

Caixa do tempo

Há muito tempo sonho em comprar uma casa de campo igual à de meu tio. Já havia feito inúmeras propostas tentadoras para que ele me vendesse a tal casa, mas ele sempre recusava e insistia em me dizer que tudo havia seu determinado tempo.
Procurei saber o preço de todas as casas de campo que encontrei, mas nenhuma era como a de meu tio. Talvez fosse pelo fato de ter passado uma boa parte da minha infância por lá, antes que minha mãe viesse a falecer quando tinha apenas onze anos.
Estava trabalhando quando me ligaram dizendo que meu tio decidira seu ultimo pedido: Queria que eu cuidasse muito bem de sua casa predileta, que agora estava em meu nome.
Mal  pude acreditar na noticia, ao mesmo tempo em que a alegria tomava conta dos meus sentidos eu procurava entender porque ele havia feito isso. Tentei falar com ele de todos os modos e por um bom tempo, mas ele definitivamente desaparecera.
Passado alguns dias, a casa já estava como queria, os móveis rústicos todos de mogno puro decoravam o ambiente, pacato. Eu  me sentia satisfeito, completamente realizado.
Observei detalhes que me chamaram muito a atenção, todos os cômodos da casa eram divididos simetricamente idênticos, eram “quadrados perfeitos” e a casa parecia muito espaçosa, por mais que fosse modesta.
Os dias passavam, descobri também que meu tio havia deixado além da casa, um velho relógio de cordas.
Quando percebi, estava velho, e as “coisas” lá fora haviam mudado, mas não tinha a mínima vontade de sair da velha casa, da caixa velha de madeira onde morava, e o relógio parado na parede, mostrava que já era hora de partir.  (monique pádua)